DA ESSÊNCIA E DO ESSENCIAL

Juscelino Kubitschek, com seu intuito desenvolvimentista de fazer “50 anos em 5″, morreria de inveja: fizemos 50 anos em 5… semanas!

Falando em 50, cinquentões e cinquentonas como eu, que começaram a escrever nas emblemáticas máquinas de escrever e que tiveram que pular miudinho para acompanhar as transformações tecnológicas; que viram seu dinheiro diminuir dia a dia com a hiperinflação dos anos 90; que assistiram embasbacados às rápidas mudanças sociais e ao próprio comportamento do Ser Humano (gerações Y, Z, Alpha…); nem no mais delirante exercício de futurologia imaginaram vivenciar uma reviravolta em proporções planetárias como essa!  (É…não demos o devido crédito aos filmes de ficção…).

Quem tem data de nascimento começando com 19 já podia se julgar uma  “testemunha secular”, mas agora… puxa, vivenciar esse surpreendente trecho da história da humanidade e poder dizer: “Eu sou um sobrevivente ao COVID 19 – sou um  ‘Covivente 19’”

Nunca se conseguiu, na história da Humanidade, unir tanta gente em torno de um mesmo tema: a soma das consultas ao Google dos nomes “COVID-19”, “Coronavírus” e “Pandemia” chega a quase 8 bilhões nesta data – 7.813.000.000 para ser mais precisa, no exato momento da escrita deste artigo. Penso que essa invocação frenética do “Santo Google”, se traduz tanto pela busca por informações de sobrevivência e atualização, como também por uma desesperada necessidade de responder “para onde vamos? ”  O difícil de protagonizar essa difícil realidade é a incerteza do futuro.  Chovem Lives e webinars com autoridades de todos os campos, tendências, partidos, num exercício de previsão que nunca se viu igual.

Profecias à parte, algumas coisas já podemos ter como certo: mesmo vivendo como um homem das cavernas, isolado no mais longínquo casebre da Terra, ninguém passará incólume ao bichinho invisível, o Covid. Ele pode não entrar em nosso corpo, mas vai entrar e perpetuar em nossa vida, de uma maneira ou de outra!

E o que ele está nos fazendo? Sem pensar nas mortes, nos doentes, nos falidos, nos famintos, nas sessões de tortura que se transformou assistir aos noticiários… Num exercício racional e otimista, tentando extrair o bom nisso tudo, a pandemia está nos levando a uma ressignificação. Para quem não sabe, em PNL-Programação Neurolinguística, Ressignificação é o método utilizado para fazer com que as pessoas possam atribuir novo significado a acontecimentos por meio da mudança de uma visão de mundo.

O isolamento social, a reclusão domiciliar e a sensação do relógio andando mais devagar nos levam a refletir sobre a essência das coisas. Nunca se deu tanta atenção ao valor dos produtos e marcas, ao propósito das organizações, à autenticidade das pessoas. Só para ficar num exemplo: o trabalho remoto revelou a simplicidade das atitudes e atribuiu novo significado a elas – presidentes de empresa, em videoconferências, outrora engravatados em elegantes ternos, debruçados sobre suas mesas caras, agora assinam decisões de milhões de dólares do seu computador pessoal, vestindo camiseta e calça jeans… (e às vezes, com o gato no colo)…Quem imaginou?!

 

Por outro lado, nunca se pensou tanto no essencial, no que realmente importa. O pão caseiro, símbolo da quarentena (sessentena… setentena…), trouxe um significado muito além do âmbito do paladar – remeteu aos tempos antigos, em que era possível viver dos ingredientes da terra, do cultivar, do manusear – sensação de independência, gostinho gostoso do “feito por mim”, do compartilhar um pedaço com os familiares… No conforto do homewear e do chinelo o dia inteiro, olhamos para o armário abarrotado de roupas e acessórios e aquilo tudo parece estranho… Pensamos nos livros que se avolumam na estante sem ser lidos; nas fotografias  esquecidas no álbum, ou no computador, ou no celular; lembramos dos CDs e de outros “paleolíticos” mofando em nosso arquivo morto, mas que atribuíram enorme significado à nossa existência.

Resgatamos tudo isso e perguntamos: do que eu preciso, mesmo, para ser feliz?

Hora de revisar o nosso PROPÓSITO DE VIDA. De resgatar a nossa “Vocação”. Lembrando que vocação vem do latim (vocatium) e significa: chamada da alma… Fascinante! Hora de achar uma brecha e incluir na agenda, com recorrência, momentos para fazer aquilo que gostamos; aquilo que sacia a fome do nosso coração.

Nesse momento vale mergulhar nas palavras do autor americano William Bridges:        “Quer escolha ou não a sua mudança, dentro de você há potencialidades adormecidas, interesses e talentos que ainda não explorou. As transições limpam o terreno para novos crescimentos. Fazem descer a cortina para que o palco seja arrumado para uma nova cena.”

O que é que, a essa altura da nossa vida, aguarda silenciosamente nos bastidores a deixa para entrar em cena?

Pensemos nisso!

 

*Sueli Rodrigues, consultora de estratégia mercadológica e treinadora corporativa, seguindo no isolamento social, se sentindo reflexiva, mas apesar de tudo, muito confiante.

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